Poésie

Pranto de Maria Parda

Diálogo imaginado por el poeta portugués Gil Vicente entre la lisboeta aficionada a empinar el codo y la desenfadada tabernera vizcaína establecida en Lisboa en vida del poeta (c. 1465-c. 1537) y que dice así:

Por que vio as ruas de Lisboa como tâo poucos
ramos nas tavernas e o vinho tâo caro, e ella
näo podia viver sem ella
Pede fiado á Bizcaïnha
O'Senhora Biscaïnha,
Fiae-me canada e meia,
Ou me dae hûa candeia,
Que se vai esta alma minha.
Acudi-me dolorida,
Que trago a madre cahida,
E çarra-se-me o gorgomilo
Emquanto posso engoli-lo,
Soccorei-me minha vida.
Biscaïnha
Nâo dou eu vinho fiado,
Ide vós embora, amiga.
Quereis ora que vos diga?
Nâo tendes isso aviado.
Dizem lá que nâo he tempo<
De pousar o cu ao vento.
Sangrade-vos, Maria Parda;
Agora tem vez a Guarda
E a raia no avento.

Ref. J. A.: "El pranto de Maria Parda". Boletín de la Real Sociedad Vascongada de Amigos del País, 1966.